segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

As praias do Sul de STP- deitar à sombra do coqueiro ou nadar com os minino?


As praias de STP devem ser as praias mais democráticas do mundo e se tal acontece é graças às suas crianças e não devido a alguma determinação governamental. Elas são a ponte, o sorriso e a boa companhia de muito boa gente, tudo começa com um "Bom Dia!" e de repente já estamos envolvidos por aquela alegria contagiante.

Vou começar pelas praias do Sul da Ilha de STP. Não conheço o Príncipe, ficarei só pela ilha grande, mas do que eu já vi, as praias do Sul são as mais fantásticas de STP. 

Se é coisa que me irrita em Portugal é perceber que as praias mais bonitas vão sendo ocupadas por concessões ou hoteis/ resorts, limitando todo o povo de usufruir do que é de todos.Em STP tal não acontece e ainda bem. 
A foto de baixo retrata o que quero demonstrar: temos o Alain, belga e temos o Wilson de STP.  A brincadeira dos miúdos durante algum tempo foi a disputa do tronco. O Alain brincou com o tronco, o Wilson pediu os óculos de mergulho ao Alain. Esta brincadeira passou-se na praia Messias Alves, junto a Santana, onde há um clube/resort com o mesmo nome. Bonito, não acham?



gg






Aqui estou eu numa das minhas incursões pela praia onde acabo sempre por fazer novas amizades e nadar com as crianças.


Num fim de semana ou feriado, em STP  tudo ruma à praia. Apanham o "a Bó-leia" e aí vão eles. Levam comida de tacho, geleiras e ficam por ali todo o dia a gozar o que de bom a vida e a natureza oferecem. 


Neste caso rumámos todos à praia Micondó,  uma baía muito bonita, a tal do coqueiro que faz de baloiço. Toda a baía é abraçada de coqueiros, micondós e caroceiros, é linda, linda!





Jogar uma futebolada na praia é uma prática dos sãotomenses e o que é engraçado é que todos jogam, homens e mulheres, crianças e mais velhos, e é uma alegria. As tantas eu estava a torcer por uma equipa e o guarda redes percebeu!






Esta menina com que estive à conversa fez do saco do vinho (papelão de 3 litros) uma bóia ou uma almofada. Achei piada é que no final da nossa conversa ela meteu a roupa à cabeça (tudo vai na cabeça e começam de pequeninos).



Bóias, pranchas?  Em STP tudo se improvisa com a natureza.

As praias do Sul que apresento de seguida são mesmo, mesmo no sul, ou seja temos que passar Porto Alegre, onde acaba a estrada e começa o caminho das bananeiras e nos leva ao paraíso.
Esta primeira é a Jalé. Foi tirada do barco, mas podem ver-se os bungalows, pois existe uma eco-resort por perto.


Agora a praia em baixo, também é maravilhosa e passámos lá um dia inteiro. O que quer dizer que temos que sair da capital pelas 8h da manhã para chegarmos à praia 2 horas depois, são 60 km meus amigos mas sofridos, cima e baixo nas covas, nas curvas, com pessoas e animais a atravessarem-se na estrada inesperadamente...mas quem corre por gosto não cansa! O pior é o regresso, mais 60 Km de altos e baixos a fazer antes do anoitecer, ou seja pelas 15h pois às dificuldades acrescidas de cima, acrescenta-se o não haver iluminação nas estradas/ruas. Mas como verão vale mesmo a pena:

Vista do mar

Em terra a praia Inhame

Outra perspetiva da Inhame


Como a praia Inhame também tem um eco-resort há hóspedes que chegam de barco

Barcos que trazem hóspedes que podem vir do Ilhéu das Rolas

O melhor dos eco-resorts é que ficam completamente escondidos (são cabanas bem catitas)
Aqui a Laurinha numa das investidas para ver peixinhos
Todas estas praias são visitadas pelas senhoras tartarugas que põem os seus ovinhos nas praias, pelos meus cálculos as tartaruguinhas sairão dos seus ovos lá para Abril...quem sabe se cá vierem por essa altura, deve ser um espetáculo vê-las pela praia em direção ao mar. 

E quanto aos repastos por estas bandas? Podem comer nos eco-resorts que têm refeições simpáticas. No Inhame comemos um peixe andala grelhado muito bom e as meninas uma salada de frango, com preços bem acessíveis. No entanto quando vamos para praia onde não há qualquer apoio de praia levamos frutinha, uma saladinha de arroz, huuummm, que bem que sabe, foi o que nos aconteceu na praia Piscina.



 

Agora a praia Piscina. Como podem ver nas imagens em baixo, é isto, "no coments". Se tiverem a sorte de se cruzarem com o Carlitos ainda melhor. È a praia de fim de linha, aquela que acaba na estrada dos buracos, a das bananeiras. O esforço de nos levantarmos às 7h da manhã vale ou não vale a pena?









domingo, 3 de janeiro de 2016

Na Roça com os Tachos ou na Casa do Tio Mendes?

Hoje o blogue era para ser dedicado às praias, mas considerando os acontecimentos gastronómicos destes 2 últimos dias guinei para o tema comida porque urge falar dela enquanto estou a quente!

Quando anunciei aos meus amigos e familiares que vinha a STP toda a gente me recomendou “não te esqueças de ir comer ao Sr das Roças com os Tachos” e como sou muito bem-mandada ontem lá decidimos ir, a minha famelga e o Sr Coroné (não se vai chatear por isto pois não Coroné? Porque tal como nas novelas recuámos no tempo e é uma delícia ouvir falar da Tita empregada ao dirigir-se ao Sr Coroné).


Após uma prainha bem catita em Micondó, aquela do baloiço-coqueiro que já falei numa edição, lá fomos, a bem dizer já um bocado esgalfos. A localização do restaurante na Roça de São João dos Angolares é espetacular, estamos em cima de um morro virado para a baía e para a montanha. A decoração também é muito engraçada, alia o espírito africano ao espirito zen, convidando os fregueses a esperar refastelados numas camas ou cadeirões.




Quando chegámos ao local do repasto reparámos que éramos nós os 5 e mais 40 ou 50 pessoas para servir. Acrescido à falta do Sr João aquilo não se afigurava bom presságio. Sugeri então que fossemos ao Miongá (restaurante bem pertinho e também recomendado), mas quando o meu parceiro de vida se dirigiu à Sra que estava a gerir o restaurante, perdi a parada (não há nada a fazer o poder das mulheres vence o comandante mais decidido) e decidimos todos: vamos ficar!





Agora vamos ao que interessa e ao que me levou lá: a comida e conhecer o Sr João Carlos Silva, sim o sr do “- filma Kalu!”. Ora bem, quanto ao segundo motivo “azarzinho”, o senhor foi de férias a Portugal e fez ele muito bem (travarei conhecimento numa próxima, ou mesmo no avião…consta que vem no dia que regressamos). Agora a comida, uma das razões do meu viver: ora bem é o chamado menu degustação, ou seja vão-nos sendo servidos pratos com micro comida em montinhos e depois no final voilá o prato de substancia.

A comidinha dos pratinhos lentamente, mas muito lentamente foi chegando, mas como os empregados eram poucos para as encomendas, os pratos nunca foram trocados. Os jovens empregados iam depositando os montinhos a um ritmo que não estavam habituados e o que acontecia era o seguinte: cada pratinho para degustação levava 3 montinhos, cada montinho era trazido por um empregado, quando acabava a porção de cada um dos empregados eles gritavam para os clientes “ainda não come porque falta um montinho” (o montinho é minha expressão). E ali ficávamos a olhar para 1 ou 2 montinhos à espera do terceiro montinho. “Irrrrra!!!!”diria o saudoso António Silva, parecia que estávamos num casamento mas sem a bela da comida. Quando um de nós tinha a audácia de perguntar o que estávamos a comer, eles respondiam entredentes, como quem diz “come e cala”.

Considerando que os nossos pratos não estavam dignos de apresentação e havia quem estivesse entre nós que já tinha tido outro tratamento decidi publicar fotos do que pode ser mas não foi!

 farofa de laranja + agrião e ananás com molho de azeitona
Batata doce assada+choco frito
Ceviche de peixe andala com limão chinês+manga e maracujá+banana com flor de mosquito
Banana frita com bacon e queijo+ tomate no forno+ omelete de micocó (esta nem a vi)
Depois de 4 pratinhos com 3 montinhos cada ( e são mesmo minusculos), lá nos dirigimos com um prato na mão para a bicha do panelão do frango guisado com arroz que estava bem saboroso. Como um dos molhos que acompanhavam o guisado não estava identificado, houve um de nós que ainda hoje tem a boca a arder…

Frango guisado (com todos)
Continuámos na converseta e ficámos embasbacados quando vimos que toda a gente à nossa volta estava a beber cafés e que tinham vestígios de sobremesas nas mesas. “E nós?” perguntámos ao senhor que andava a servir os cafés? E ele respondeu “quantas já comeram?”. Pensámos que não podíamos estar distraídos, de outra forma eramos esquecidos!

Banana bebeda com chocolate
Tiras de papaia verde com maracuja



Agora os sabores: para quem vem uma semana a STP não é má ideia ir ao Sr João da Roça com os Tachos, de fato estão lá todos os ingredientes com que me debato diariamente no mercado e que por teimosia ou adivinhação vou acrescentando ao meu palato, mas quanto aos meus gostos e penso de quem me acompanhava, em geral é tudo Muito. Muito avinagrado, muito doce, muito apimentado, muito oleoso e pelo que já saboreei em STP às vezes “more is less” porque, é tudo tão bom para quê complicar? 
Por outro lado, o espaço é bonito convida a ficar, se calhar a visitar...é o chamado "os olhos também comem", mas neste serviço para nosso azar foram mais os olhos.

Agora sim, a surpresa do dia a Casa de Petiscos do Tio Mendes. Vínhamos nós da Lagoa Azul, encantados com os peixinhos que vimos e decidimos parar no restaurante Pema que fica em Guadalupe, a norte da capital.


O Tio Mendes português de Abrantes a viver há 25 anos em STP, sãotomense de coração e agora de nacionalidade presentou-nos com a sua comida simples e deliciosa. E Tio Mendes porquê? Ainda não vos disse, mas para os naturais somos todos tios e tias, eu por exemplo aqui sou tratada pelas crianças e adultos por Tia ( e não é o tratamento de Cascais!!!!).


De entrada comemos uns búziozinhos do mar estufados (do mar porque aqui também os há da terra) e logo a seguir uma santola maravilhosa de fresca. 



Também me disse que costuma ter camarões de STP (porque na casa dele não há congelados) o que me espantou, já que ainda não os vi em lado nenhum, mas se ele diz eu acredito. Ao nosso lado estavam 3 senhoras africanas a almoçar ao estilo mama africa a destroçar 3 santolas, 2 costoletas e por fim de sobremesa uma garrafa de tinto.


Não comemos a manga de maracujá, mas no final o Sr Mendes presenteou-nos com um saco de maracujás acabados de apanhar e perguntou-nos se já tínhamos comido safu, porque quem come safu volta sempre a STP (check!).





Balanço feito: não temos fotos lindas como na Roça, mas viemos do Tio Mendes mais satisfeitos.

Quanto a preços e contas vamos lá a ver: na Roça do sr João pagamos 15€/adulto ou 10€/criança acrescido às bebidas que consumimos; no Tio Mendes pagamos uma santola por menos de 10€, mais 0,80€ por cada Rosema (cerveja nacional). É só fazer as contas e ver aquilo que pretendemos quando vamos ao repasto!



















sábado, 2 de janeiro de 2016

Verde, verdinho, verdezão em STP

Em STP tudo brota. Por vezes, no meio do nada, na areia da praia, a furar uma pedra surgem novas plantinhas que darão origem a grandes árvores. E depois o verde, ou melhor os tons de verde que existem por cá, já nem falo numa montanha, basta uma árvore como a árvore da fruta-pão para identificarmos seguramente uma meia dúzia de verdes.

Fruta pão

Se as plantas e as árvores brotam, claro que as flores e os frutos seguirão o mesmo caminho. Mesmo nas estradas nacionais com facilidade identificamos os frutos. Por vezes, vemos meninos e adultos  a subir às árvores e vêm carregados de Jacas (que agora é tempo delas).

Jaca na jaqueira
Mangueira
Bananeira
Mas a árvore que eu mais gosto e que substitui 50 guarda sois numa praia é o caroceiro (cujo fruto será o caroço?!), o caroceiro encanta-me porque parece que foi podado para dar sombra e estica os seus ramos para dar ainda mais sombra.

Caroceiro

Outra árvore mítica em África é o embondeiro, árvore de grande porte que dizem que quando Deus  a criou a virou ao contrário (a copa parece a raíz).


Depois ainda há uma árvore linda de morrer que dá tamarindos, não sei se se chamará tamarindeiro, a norte da capital existe uma praia que recebeu o nome do fruto: tamarindo, porque toda ela está revestida de tamarindeiros que convidam aos piqueniques juntos à praia.


Tamarindo na zona norte que dizem que é a savana de STP



Uma cultura que desbastou grande parte da floresta sãotomense, foi a Palma. Para que se plantasse esta grande extensão de palma, a parte sul da ilha nomeadamente a floresta autóctone foi completamente arrasada (como se vê nesta foto à volta do Pico Cão Grande).

Sape-sape (para o meu sumo)
Cana do açucar
Papaeira
Esta dei-lhe eu o nome, fica mesmo em frente a nossa casa e eu chamo-lhe a árvore dos balões





Pitanga
Goiaba




Flores de porcelana
Cocos, cocos e cocos


Esta flor chamam-lhe lábios de preta (porque será?)

Por fim as senhoras árvores que um dia ainda triunfarão na economia do país como aconteceu há 100 anos atrás:


Café
Cacau